sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Canto de amor

Canto de amor


A noite com suas enormes mãos 

de dedos finos e compridos, 
aos poucos vai envolvendo o dia.
A escuridão se aproxima e
vai tomando conta de tudo.
Assim também em mim
a penumbra sorrateiramente
vai escurecendo minha alma.
De meus olhos vertem águas
que aos poucos se transformam
em um rio manso de saudades.
Choro a falta de meu amado.
Ele partiu daqui para o além.
Já faz muito tempo. 
Mas, as lagrima que choro
batem no silêncio da rua
e como notas em coro
despertam os astros e a lua.
O luar se ascende e os astros cintilam.
Todos dormem somente eu resto acordada.
Sinto não poder mais timbrar
o meu amigo de cordas.
Durante muitos e muitos anos
foi meu companheiro e confidente.
Só ele me confortava nas horas tardias,
acompanhando silente meu canto
de amor e de saudades.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Um lugar no coração

Um lugar no coração – Maria (Nilza) de Campos Lepre.

Ao pisar pela primeira vez neste chão, eu era uma adolescente triste e assustada.
Havia acabado de deixar tudo que conhecera de bom em meus poucos anos de existência. Ao longe ficaram meus amigos, escola, pontos de referência e tudo mais que sempre havia me feito ser uma menina feliz.
Em minha cabeça parecia escutar as vozes de minhas amigas gritando:
- Você não vai gostar. O povo daquela cidade é orgulhoso. Não gosta de estrangeiros. Você vai ficar sozinha sem amigos. Eles não aceitam quem não tenha nascido ali.
Era assim que as outras cidades vizinhas viam o povo de Araraquara. Orgulhoso e elitista.
Apavorada, parti para meu primeiro dia de aula. Entrei para o pátio e fiquei em um canto sem procurar fazer amizade com ninguém. Meu coração estava tremendo de medo, meus olhos a qualquer momento começariam a verter lágrimas sem eu mesmo saber o motivo.
Neste momento uma das alunas se aproximou de mim e se apresentou:
- Eu me chamo Reine e você quem é? De onde vem?
- Eu vim de Ibitinga e me chamo Maria Nilza.
Meu coração começou a se aquietar. Aos poucos outras meninas foram se aproximando e acabei me incorporando ao ciclo de amizade delas.
Aprendi que não se pode ter um pré-julgamento de ninguém e nem de nada nesta vida.
A partir deste primeiro dia, comecei a me apaixonar por esta terra que é conhecida como a morada do sol, mas para mim ela é na verdade a morada dos Deuses. Não há neste mundo cidade que eu ame mais do que esta. Ela me acolheu de braços abertos. Foi aqui que finquei minhas raízes, onde encontrei meu amor, onde meus filhos nasceram e cresceram.
Viajei pelos quatro cantos do Brasil e do mundo, mas não há lugar melhor que este. ARARAQUARA: com suas Árvores, Parques, Jardins, Alamedas, Bibliotecas, e Teatros, conquistaram para sempre meu coração. Ha muitos anos se dedica á cultura, e as artes. Talvez tenha sido esta a razão de a terem tachado de orgulhosa e elitista.
As outras cidades com certeza tinham era inveja de seu sucesso e de seus artistas.

ARARAQUARA: hoje faço perante todo teu povo a minha declaração de amor. Mesmo não tendo nascida aqui. Sou araraquarense de coração e alma. TE AMO.

O brilho das estrelas

O brilho das estrelas

Em um tempo bem distante, meu marido e eu, deitados na rede pendurada na área da frente de nosso pesqueiro as margens do rio Paraná, estávamos admirando as estrelas. Como ali não havia chegado à eletricidade, não havia nada para ofuscar o brilho delas.
Ao balanço da rede conversávamos sobre a beleza daquele lugar que parecia perdido no tempo. Ali o céu era mais lindo, o brilho das constelações parecia ganhar intensidade. Divisávamos sem nenhum esforço o nosso famoso “Cruzeiro do Sul”.
Ficávamos assim, somente na contemplação, quase todas as noites após um dia estafante de pescaria.
Conversa vai conversa vem e ele levantou uma questão: - Como seria possível que nós aqui na terra enxergássemos o brilho de estrelas, que há muitos e muitos anos, já se encontravam extintas, mortas.
Esta pergunta na ocasião ficou sem resposta.
Na volta procuramos saber as explicações cientificas, mas bem no fundo de minha alma não me convenceram.
Hoje, depois de passado tantos anos, eu encontrei a resposta.
O brilho delas perdurou, porque ele é o resultado de tudo que ela foi enquanto vivia. É a sua essência, na realidade a sua alma. Sei que é uma resposta que não se baseia em estudos científicos, mas dentro de mim é assim que penso e quero que seja.
Assim também cada um de nós é um pequeno planeta que um dia também será extinto, mas, compete a cada pessoa através de seus atos fazer com que sua luz continue a ser admirada por pessoas que por aqui ficarem.
Ainda consigo divisar o brilho de cada pessoa que me foi querida, mesmo tendo partido há muitos anos. Dentro de mim nunca morrerão. Só deixarão de brilhar quando eu também me for.


Maria (Nilza) de Campos Lepre - 2013

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Ampulheta da vida.

Ampulheta da vida.

Hoje descobri que sou um átomo,
perdido numa imensa jornada
onde tantos outros  se juntam
desgovernados, desiludidos
sem destino e sem rumo certo.
Faço parte da ampulheta do tempo.
Tempo que passa rapidamente.
A areia nunca para de cair,
e quando o tempo se esgota
sempre haverá a mão de Deus
para vira-la e começar novamente.
Nesta virada, muitas vidas se perdem,
mas, sempre haverá outras
para ocupar as lacunas deixadas.
Sei que sou um destes grãos de areia.
Em breve serei trocada por outro.
É assim que caminha a humanidade.
Assim foi desde o início dos tempos.
Assim continuará para sempre.
Julgava saber muito da vida.
Hoje descobri que não sei nada.


Maria (Nilza) de Campos Lepre – 17/05/2014

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Belo é... Feio é...

Belo é... Feio é...


Belo é...
O raiar de um novo dia...
O sorriso de uma criança...
Não ter de mendigar alegria...
Ter um teto e segurança...

Belo é...
Ter o amor de quem se ama...
Ter confiança em seu governo...
Ser atendido pelo SUS sem drama...
Não se sentir vivendo no inferno.

Feio é...
Ver a nossa mata destruída...
Ver os animais se extinguindo...
Ver a natureza todo dia agredida...
Ver as águas, desaparecendo...

Feio é...
Ver a família a cada dia adoecendo...
Ver o câncer se instalando em nossos lares...
Continuar ausente e não enlouquecendo...
Fingindo-se de feliz apesar dos gritos populares.

Feio é...
Se acostumar com tudo e não fazer nada...
Continuar vivendo cego, surdo e perdido...
Viver com medo e sendo sempre alienada...
Continuar ignorando os gritos de um povo sofrido...


Maria (Nilza) de Campos Lepre – 27/05/2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Janela d’alma.

Janela d’alma.
 

Claro.
Escuro.
Ascende.
Apaga.
Abre.
Fecha.
No claro...
Desvenda o mundo.
No escuro...
Tateia confuso.
Ascende...
Ao encontro do amor.
Apaga...
Por uma desilusão.
Abre...
Por uma vida feliz.
Fecha...
Quando realizado.
Sonha...
Para reviver prazeres.
Olhos...
Janelas d’alma.


Maria (Nilza) de Campos Lepre – 14/05/2014