terça-feira, 5 de novembro de 2013

Madrugada.




Madrugada.

O silencio impera sobre todas as casas e prédios da vizinhança.
Tenho a impressão que o mundo parou de girar.
Até mesmo os carros pararam de circular pelas ruas.
Uma chuvinha fina cai ali fora.
Escuto uma musica desafinada.
Apuro os ouvidos...
Descubro qual a causa...
É o tamborilar das gotas que se formam,
e aos poucos batem no peitoril da janela.
É uma madrugada preguiçosa.
O mundo todo dorme.
Eu como um anjo protetor fico a velar pelo sono de todos.

Maria (Nilza) de Campos Lepre – 17/10/2013

Saudades... Não tristeza...



Saudades... Não tristeza...

A tristeza do adeus a quem se ama é uma doença que ataca a alma. Enfraquece o nosso brilho interior.
A dor é insuportável, tão forte que não consegue ficar retida em nós, transforma-se em lagrimas, límpidas e cristalinas que desabam pelas faces, como se fossem frutos de uma nascente.
O choro mansamente vai acalentando as dores, mas vai deixando a marca do sofrimento, como uma cicatriz que ficará gravada em nós, em nossa alma. Vai estar presente a cada dia, mês ou ano...
As lembranças retornarão sempre, ao rever uma foto, um por do sol, uma flor, ou simplesmente ao observar a felicidade de alguém.
Sempre haverá uma forma de reviver alguém a quem se amou. Ela partiu, mas sua presença ficará para sempre incorporada em nós.
Vai chegar o dia em que a recordaremos sem dores, sem sofrimentos, apenas com muita, muita: Saudades.

Maria (Nilza) de Campos Lepre – 5/11/2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Deixe-me em paz

Deixe-me em paz

Você foi se achegando aos poucos...
Se encostando como quem nada quer...
Foi invadindo meu corpo lentamente...
E com habilidade foi tomando conta de meu ser.
Com você sensações delirantes.
Ora um arrepio de frio,
Mesmo estando num calor insuportável...
Ora um calor que aquece tanto,
Que me faz transpirar a cântaros...
As pernas me faltam, parecem feitas de gelatina...
A minha volta o mundo passa lentamente.
Você conseguiu me deixar suspensa
No tempo e no espaço.
Mas por favor, vá embora.
Não te quero aqui comigo...
Quero poder respirar sem essa tosse
Que me tira o fôlego e embaralha meus sentidos,
Quero voltar a ser aquela que sempre fui.
Deixe-me seguir a vida sem você...
Gripe maldita me deixe em paz.

Maria (Nilza) de Campos Lepre - Setembro de 2013

sábado, 14 de setembro de 2013

Utopia




Que sensação divina é esta que me invade?
Sinto águas frias acariciando meu corpo.
Não consigo entender o que acontece.
Percebo, porém que a presença de alguém, abraçado a mim, formando um só corpo, uma só alma. Abro os olhos e te vejo amor de minha vida.
- Veio me visitar, amainar a falta que faz?
Sei que estou navegando pelas águas do rio Miranda, sem barco, sem piloteiro. Sem motor, e sem remos. Simplesmente descendo ao sabor da correnteza.
Não falamos nada, somente olhos nos olhos. Simples, assim...
Continuamos descendo as águas, calmos e felizes.
Aos poucos meu ser vai se harmonizando com o universo.
A saudade se acalmando. A distancia se encurtando...
Aí... Desperto.
Minha alma canta de alegria, novamente o meu eixo se endireitou.
Posso novamente continuar por aqui por mais algum tempo sem você.
A visita que me fez, mesmo que em sonhos, renovou minhas energias.
Obrigado, querido, sei que em breve nos encontraremos.
Saudades.

Maria (Nilza) de Campos Lepre

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Escritor - Pintor




Escrever é pintar telas com palavras.
As letras transformam-se em pinceis.
Vagarosamente vão colorindo
Pincelada, por pincelada,
Com cores vibrantes,
Mas às vezes tênue,
As paginas de um livro.
As idéias do autor transformam-se.
A escrita vai criando lindas telas.
Cena campestre, ou urbana...
Não importa o tema,
O certo é que o leitor
Interage, e consegue ver
As nuances que o escritor
Tão sabiamente colocou em sua obra.
E se coloca no meio da trama.
Passa a fazer parte da obra do autor.

Maria (Nilza) de Campos Lepre